um pouco de silêncio para pensar
tirar a brancura do papel
desenhar as letras e relembrar.
Na janela, a chuva molha
lágrimas de benção e frescor
aqui dentro gotas, correm minha face marcada
vida que se esvai, corpo que definha.
Lembranças do passado distante,
presente na nostalgia da tarde molhada,
ausente no tato enrugado,
no olfato ineficiente e na visão embaçada.
Resta muita lembrança,
sobra a dor, em meu corpo senil
e, no fim, a canção.
Ora, meu jovem amigo,
minha vida está ao fim e sofro.
por saber que os dias já não são tão claros,
as noites, não tão estreladas,
as nuvens; brancas, não são mais.
o mar verde escureceu.
Meu caro amigo,
deixo-lhe essa canção com toque suave e infantil
afinal, a morte não é o fim,
tão só, o recomeço...
Agora o seu caminhar, incerto será.
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