I -
Lágrimas escorrendo
e as pernas correndo
sem norte,
sem lar.
Os hematomas ferem
as lembranças perseguem
Porque ele fez isso?
e nossas juras de amor eterno?
Pelas ruas sombrias
alta madrugada
segue sem medo.
Afinal, se não temos porto seguro,
o que é medo?
Será algo em relação ao desconhecido?
e se tenho para com meu próprio marido.
II –
Homens de farda azul se aproximam
Ao longe luzes, vermelha e azul
Flash´s de sangue e esperança
- A senhora precisa de ajuda?
Educadamente questiona
Resposta óbvia aparentemente.
Roupas rasgadas,
hematomas na face,
arranhões no corpo,
e a dúvida, a que mais machuca.
Oscilação entre o sim e o não
Foi só um momento de raiva, pensou.
Talvez stress da vida cotidiana
aliada a uns tragos e goles a mais
por tudo que ele representa:
- Acho que não. Pensou em baixo tom
Corajosamente, ergue o rosto
Enche os pulmões e diz:
- sim, eu preciso de ajuda
III –
Logo veio um cobertor
Acolhedor e aquecedor
Sensação de proteção e segurança
estranho as ter com desconhecidos
Precisamos de algumas informações.
Disse o guarda depois da proteção,
Perguntas buscavam entender
Mas, como compreender o incompreensível
Explicar o inexplicável
Justificar o covarde
- olhe minhas roupas, meu corpo, minha marcada face
já que não podes ver meu arrebentado coração
Ato injusto, infundado
Ciúmes, stress, raiva...
Nada explica, nada consola
Por favor, me ajudem.
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